sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Devaneio de um quarto de motel.

  As vezes me fogem pensamentos tão insuportaveis, que quase esqueço de esquece-los.
   Coisas tão sujas como a cor negra de uma floresta em plena lua nova.
   O cheiro ácido do sexo ainda exala de dentro dos meus poros.
   A fumaça cinza do cigarro, se desfaz aos poucos dos meus olhos.
   O disco de vinil, toca um Bues "rangido" de ferrugem, e seu som ecoa torto repetidamente em meus ouvidos.
   O vidro da janela, borrado pelo calor exalado pelos dois corpos em cima da cama, começa a derramar gotículas de calor que se juntam e umedecem a beirada da parede, que gritante, em meio a sons desconcertados dos corpos, a antigas açoes, presenciou tudo de olhos imóveis.
   Da minha boca só lembro que profanei gírias exóticas, ao ponto da loucura do erotismo, e permaneço aqui, nú, deitado numa cama coberta de panos de seda amassados, lembrando de um dia de prazer imundo cotidiano meu.

                          Henrique de Arietis

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